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CAPTULO 15 
ESTRUTURA DAS PALAVRAS 
OS MORFEMAS - SEU CONCEITO 
A anlise da forma das palavras nos revela a existncia de vrios 
elementos que lhe integram a estrutura. 
Chamam-se MORFEMAS: 
Raiz 
Radical 
Desinncia 
Vogal temtica 
Tema 
Afixo (prefixo e sufixo) 
Cada um desses morfemas representa a menor unidade de signil 
cao que pode figurar numa palavra. 
Em sol, por exemplo, existe um s morfema, uma vez que esse non no admite decomposio em formas menores. J, por exemplo, m nina e meninice permitem-nos, respectivamente, 
os seguintes desd bramentos: menin + a e menin + ice. 
Vemos, ento, que o morfema menin- encerra a significao bsi da palavra, enquanto ao morfema a (de menin-a) cabe o papel de ii dicar a noo gramatical de gnero 
feminino, e ao morfema ice ( menin-ice) o ofcio de formar uma palavra nova. 
Ao morfema meniiz- denomina-se RADICAL (ou, em outras term nologias, semantema, lexeina, ou morfema lexical); quele a denot dor de gnero feminino, DESINNCIA (ou, 
em outra terminologia, sufb fiexional); quele ice criador de uma nova palavra, SUFIXO (ou, e outra terminologia, sufixo derivacional). 
Examinemos, agora, a conceituao de cada um desses elemento 
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RAIZ 
Raiz  o morfema originrio e irredutvel que contm o ncleo significativo comum a uma famlia lingstica. 
A pesquisa das razes requer conhecimentos especializados e profundos, em razo das alteraes por elas muita vez sofridas na evoluo milenar das lnguas indo-europias, 
onde entroncam, em ltima anlise, as razes das palavras portuguesas. Alis,  relativamente muito reduzido o nmero das razes indo-europias j rigorosamente 
identificadas. 
"Quem poderia" - pergunta Jos Oiticica - "ver semelhana entre zo de azoto e vi de viver? Pois ambos derivam da raiz indo-europia gwye."* 
Para o efeito de anlise elementar da estrutura das palavras em por 
tugus, no se busca ascender  determinao de razes; geralmente, 
toma-se como ponto de partida o radical. 
RADICAL 
Radical  o morfema que funciona como o segmento lexical da palavra, opondo-se ao segmento que lhe assinala (por meio de outros 
morfemas) as flexes e a derivao. 
De sorte que, numa srie como: 
pedr-inha, pedr-ada, pedr-eiro, pedr-ento, a-pedr-ejar, etc.; 
pur-a, pur-tssimo, pur-eza, pur-a-mente, im-pur-a, de-pur-ar, etc., 
os radicais so, respectivamente, pedr- e pur-, onde se concentra a 
significao comum a cada uma dessas sries. 
Nem sempre o radical se mantm intacto, a exemplo dos citados 
pedr- e pur-; pelo contrrio, freqentemente ocorrem alteraes, processadas no curso de sua evoluo fontica. 
* Jos Oiticica, Manual de an4lise, 5 ed., refundida, Rio de Janeiro / So Paulo / Belo Horizonte, Francisco Alves, 1940, p. 72. 
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 o que sucede, por exemplo, com o radical faz (de fa-e-r), que pode revestir formas variadas - como se v nas palavras seguintes: 
fc-il, in-fec-to, di-f(c-il, per-fei-to. 
Palavras assim agrupadas em tomo de um radical nico (invarivel, 
ou no) compem uma famlia de palavras. 
DESINNCIA 
Desinncia  o morfema indicativo das flexes das palavras, isto , das variaes por que elas passam para expressar as categorias gramaticais de gnero e nmero 
(nos nomes) e de pessoa, nmero, modo e tempo (nos verbos). 
So desinncias tpicas do nome: 
1) DE GNERO: a (marca o feminino: gat-a, mestr-a, doutor-a); 
2) DE NMERO: s (com uma variante es, depois de consoante: gata-s, mar-es). 
Observao: 
O masculino se caracteriza por ausncia de marca de gnero, ou seja, por uma desinncia 'zero'. Em palavras como gato, ou lobo, ou magro, o o no  ndice do masculino 
(e sim vogal temtica), do mesmo modo que o e  vogal temtica em palavras corno mestre, Ou parente. 
Note-se que, sem embargo da identidade de oposies (gato/gata e mestre/mestra), 
a ningum ocorreria interpretar o e de mestre como desinncia do masculino. O mesmo 
ocorre com os pares elefante/elefanta, monge/monja, etc. 
As desinncias prprias do verbo compreendem dois grupos: h um conjunto de desinncias que indicam, a um s tempo (cumulativamente, portanto), o nmero e a pessoa: 
desinncias nmero-pessoais. Outro conjunto, por igual cumulativo, expressa as flexes de modo e tempo: 
desinncias modo-temporais. 
1) NMERO-PESSOAIS: 
a) Do presente do indicativo: 
o, s, zero, mos, is (des), m. 
b) Do pretrito perfeito: 
1, ste, u, mos, stes, ram. 
c) Do infinitivo pessoal (e futuro do subjuntivo): 
zero, es, zero, mos, des, em. 
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Exemplos: 
a) cant-o, canta-s, canta-(desinncia zero), canta-mos, canta-is, canta-m. 
Observaes: 
1) Somente em alguns poucos verbos irregulares aparece des na segunda pessoa do plural do presente do indicativo: i-des, vin-des. 
2) A rigor, o m no 6 propriamente a desinncia da 3 pessoa do plural nas terminaes - a,n e em; mas, sim, mero sinal de nasalizao. Porque aquelas formas so 
apenas as representaes grficas dos ditongos nasais tonos /u/ e liii, existentes em palavras como, respectivamente rfo e pajem. Na 3a pessoa do plural do futuro 
do presente, o ditongo /u/, por ser tnico, escreve-se - o. 
b) cante-i, canta-ste, canto-u, canta-mos, canta-stes, canta-ram. 
c) cantar- (desinnciazero), cantar-es, cantar (desinncia zero), cantar-mos, cantar-des, cantar-em. 
2) MODO-TEMPORAIS: 
va (ve): imperfeito do indicativo da 1 conjugao: 
canta-va, cant44-ve-is. 
a (e): imperfeito do indicativo da 2 e 3 conjugaes: 
vendi-a, vend-e-is; parti-a, part-e-is. 
ra (re): mais-que-perfeito do indicativo: 
parti-ra, part-re-is. 
sse. imperfeito do subjuntivo: 
parti-sse, parti-sse-s, etc. 
r (re): futuro do presente: 
canta-re-i, canta-r-s, etc. 
ria (rie): futuro do pretrito: 
canta-ria, canta-r(e-is. 
e: presente do subjuntivo da 1' conjugao: 
cant-e. 
vend-a, part-a. 
Observaes: 
1) As desinncias terminadas em a apresentam uma variante em e, o que ocorre sisternaticamente na 2 pessoa do plural em razo do contato com a desinncia nmero-pessoal 
is, o que provoca a ditongao ei(s): 
cantava - cantveis; devia - deveis; partira - partreis. 
De maneira isolada, o mesmo fato se nota no futuro do presente: a desinncia r 
tem a variante re nas formas: cantarei e cantaremos. 
2) Para assinalar as formas nominais dispe a lngua destas desinncias: 
r: para o infinitivo (canta-r, deve-r, parti-r); 
tido: para o gerndio (canta-ndo, deve-ndo, parti-ndo); 
d, t, s: para o particpio (canta-d-o, pos-t-o, confes-s-o). 
a: presente do subjuntivo da 2 e 3 conjugaes: 
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VOGAL TEMTICA 
Vogal temtica  o morfema que caracteriza nomes e verbos por 
tugueses, reunindo-os em classes morfolgicas estanques. 
s nomes distribuem-se por trs classes, cada uma das quais ter 
minada por uma vogal identificadora, sempre tona: 
a: casa, poeta, nauta, rosa. 
o. corpo, livro, lobo, rico. 
e. dente, lente, ponte, triste. 
No possuem vogal temtica os nomes acabados em consoante (mar 
azul), ou em vogal tnica (caj, bambu) - e por isso se dizem ate 
mticos. 
Os verbos (como j vimos) se agrupam em trs conjugaes, carac 
terizadas respectivamente pelas vogais a (para a primeira), e (para 
segunda) e i (para a terceira). 
Estas vogais aparecem, quase sistematicamente, entre o radical 
as desinncias: 
louv A ste 
chor A ra 
fal A sse 
vend E ste 
entend E ra 
receb E sse 
part 1 ste 
sorr 1 ra 
ahr 1 sse 
Observaes: 
1) Nem todas as formas verbais possuem a vogal temtica. Na 1 pessoa do sin guiar do presente do indicativo e no presente do subjuntivo, a desinncia adere ime 
diatamente ao radical: 
cant-O (este o  desinncia nmero-pessoal); 
cant-E, vend-A, part-A (o e e o a so desinncias modo-temporais). 
2) Algumas vezes, a vogal temtica sofre alterao: 
cant-A-ste, cant-A-mos, cant-A-stes, cant-A-ram, porm: 
cant-E-i, cant-O-u. 
3) Em portugus, apenas um verbo da segunda conjugao - pr -, por ser muib irregular, no traz a vogal temtica respectiva - e - na terminao do infinitivo 
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mas apresentava-a na lngua de outros tempos (po-E-r) e mantm-na em diversas outras formas atuais. 
ste 
pus E ra 
sse 
r 
TEMA 
Tema , portanto, o radical ampliado por uma vogal temtica. 
Assim, do radical ros- obter-se-, pela adjuno da vogal temtica 
nominal a, o tema rosa-; identicamente, o radical trabalh-, acrescido 
da vogal temtica da 1 conjugao, dar-nos- o tema trabalha-. 
Ao tema assim constitudo agregam-se-lhe desinncias e sufixos, 
para assinalar as flexes da palavra ou para a formao de termos derivados. 
Exemplos: 
rosa-s (juntou-se ao tema a desinncia de plural) 
ros(a)-eira (criou-se um derivado, suprimida, porm, a vogal temtica) 
trabalh-ra-mos (adicionaram-se ao tema a desinncia do mais- que-perfeito do indicativo - ra -, e a da 1 pessoa do plural 
- mos). 
AFIXOS 
Afixos so morfemas destinados  formao de derivados: 
a) Prefixos. 
b) Sufixos. 
Alm dos morfemas estudados, podem oferecer as palavras outros 
elementos (insignificativos, isto , no-morfemas), que nelas surgem 
para facilitar a pronncia, ou por motivos analgicos. 
So vogais e consoantes de ligao, que se vem, por exemplo, em 
palavras como estas: 
plen-i-tude, carn-(-voro, cha-l-eira, pau-l-ada. 
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MODELOS DE ANLISE MRFICA 
1) mar 
morfema indivisvel, atemtico. 
2) lob-o 
lob: radical 
o: vogal temtica. 
3) lob-a-s 
lob: radical 
a: desinncia do feminino 
s: desinncia do plural. 
4) lob-inho 
lob: radical 
lob(o): tema (j aprendemos que a vogal temtica se elide ar de sufixo) 
inho: sufixo indicador de diminutivo. 
5) chor--ssemos 
chor: radical 
chora: tema (o a  a vogal temtica da 1 conjugao) sse: desinncia do imperfeito do subjuntivo 
mos: desinncia da 1 pessoa do plural. 
6) vend-e-re-i 
vend: radical 
vende: tema (o e  a vogal temtica da 2 conjugao) re: variante da desinncia r, do futuro do presente 
i: desinncia da l pessoa do singular. 
7) plant-a-o 
plant: radical 
planta: tema (o a  a vogal temtica da 1 conjugao) 
o: sufixo formador de substantivos abstratos, derivados de v hos. 
8) pau-l-ada 
pau: radical 
1: consoante de ligao 
ada: sufixo formador de substantivos, derivados de substantivi 
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